Importância da humildade e da comunhão
categoria: meditação teológica
As Sagradas Escrituras nos educam que Jesus Cristo é a verdade (Jo 14, 6). Com isto, reconhecemos a verdade como uma pessoa — como sempre reforçava o bispo Dom Henrique Soares da Costa em suas meditações: a Verdade é uma Pessoa, o Cristo Nosso Senhor.
Se apreendemos a verdade nas coisas que existem através da razão, então ela é ato do intelecto, como é apresentada na fórmula de Santo Tomás de Aquino. Assim, antes da fundação do mundo, não haveria senão a verdade no próprio intelecto de Deus, do qual procede ao homem a capacidade de conhecer as coisas que existem.
O Verbo encarnado, com infinita caridade, nos educa sobre profundas realidades: a natureza do espírito e o fim para o qual Deus nos criou. Isto porque, ao entregar o incognoscível ao homem por um jeito compatível ao corpo e ao espírito, usou a matéria como instrumento de ensino para coisas que são mais próprias do espírito. Isso se assemelha aos santos sacramentos, que trazem às nossas mentes, com excelência, verdades que por si não poderíamos alcançar. Por isso, acreditamos que a própria Verdade se revela a nós, reconhecendo que Nosso Senhor é, por excelência, a “realidade das realidades”. Em outras palavras, como é apresentado nos Santos Evangelhos, atribuindo-lhe o título de Rei dos Reis, isto é, quem governa o mundo.
Assim como tudo o que tem superfície pressupõe em si que há profundidade, e na sua profundidade compreendemos aquilo que sustenta a superfície, aquilo que constitui a matéria do homem não pode defini-lo na própria matéria, mas demonstra a necessidade de olhar para uma realidade mais profunda, pois, além da estrutura material, o homem possui a razão, pois tem uma alma racional. Portanto, como já afirmava Aristóteles e reafirmou Santo Tomás de Aquino à luz da revelação: o homem é um composto de corpo e alma. O corpo recebe o alimento material e a alma o alimento espiritual. Embora consideremos análoga esta comparação, podemos dizer que a realidade fundamental (imaterial) alimenta a derivada (material); assim também o espírito de Deus, que sustenta a matéria, alimenta o nosso espírito. Neste sentido, a matéria é ordenada como símbolo e realidade instrutiva para verdades espirituais, onde demonstra nossa dependência de outros seres (materiais) para nos saciar, como o alimento do corpo, e também aponta para a nossa necessidade das outras inteligências espirituais, principalmente a de Deus, também para o nosso espírito. Interessante que, mesmo na questão de hierarquia, o que era pequeno torna-se grande (1Cor 1,27–28). O exemplo por excelência é o dos santos sacramentos, pois a matéria é elevada como instrumento, e o ser menor participa do plano maior. Com efeito desta hierarquia, nenhuma lei inscrita na matéria pode ser maior que o próprio fundador dela: Deus.
Em última instância, o milagre é aquilo que é possível para Deus, como autor de todas as coisas existentes, segundo sua infinita sapiência no governo à luz da eternidade, mas que é obscuro ao nosso intelecto.
Acreditar que somos limitados por natureza faz parte da nossa busca verdadeira sobre a realidade. Nisso, a Verdade exige uma virtude importante: a humildade. E uma participação com o outro: a comunhão.
Creio que, para se ter fé, é preciso humildade: reconhecer o limite intelectual diante de realidades que são maiores que nós. Portanto, quando Cristo está na cruz, destaca Santo Tomás de Aquino em Adoro te devote, a sua divindade está oculta (ao nosso intelecto). E, enquanto Cristo está no pão da vida, está oculta a sua humanidade. Reconhecer isto exige fé, pois os sentidos, que guiam a razão humana, por si só não são eficazes para captar estas realidades mais elevadas.
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